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domingo, 19 de junho de 2011

CARTA ARGUMENTATIVA

REDAÇÃO: GÊNERO TEXTUAL -  CARTA
ENSINO MÉDIO
 

   A estrutura de uma carta argumentativa

       Início: identifica o interlocutor. A forma de tratá-lo vai depender do grau de intimidade existente. A língua portuguesa dispõe dos pronomes de tratamento para estabelecer esse tipo de relação entre interlocutores.
O essencial é mostrar respeito pelo interlocutor, seja ele quem for. Na falta de um pronome ou expressão específica para dirigir-se a ele, recorra ao tradicional "Senhor" "Senhora" ou Vossa Senhoria. O texto dissertativo é dirigido a um interlocutor genérico, universal. A proposta de carta argumentativa pressupõe um interlocutor específico para quem a argumentação deverá estar orientada. Essa diferença de interlocutores deve necessariamente levar a uma organização argumentativa diferente, nos dois casos. Até porque, na carta argumentativa, a intenção é frequentemente a de persuadir um interlocutor específico (convencê-lo do ponto de vista defendido por quem escreve a carta ou demovê-lo do ponto de vista por ele defendido e que o autor da carta considera equivocado).
Mas que fique bem claro: no cumprimento da proposta em que é exigida uma carta argumentativa, não basta dar ao texto a organização de uma carta, mesmo que a interlocução seja natural e coerentemente mantida; é necessário argumentar.




Características da carta argumentativa:

ü  Constitui um texto de natureza argumentativa, que tem por finalidade defender o ponto de vista do locutor e persuadir o interlocutor;
ü  Apresenta formato constituído pelas seguintes partes: data, vocativo, corpo do texto (assunto), expressão cordial de despedida e assinatura;
ü  O corpo é constituído por três partes essenciais: exposição do ponto de vista do autor (ou idéia principal); desenvolvimento (com argumentos) desse ponto de vista; conclusão;
ü  Linguagem culta, formal, impessoal, clara e objetiva;
ü  Verbos geralmente no presente do indicativo ou no imperativo;
ü  Predomínio da 1ª ou 3ª pessoa.

                                  








          


São Paulo 14 de agosto de 2000.

                      Prezados Senhores

             Uns amigos me falaram que os senhores estão para destruir 45 mil pares de tênis falsificados com a marca Nike e que, para esse fim, uma máquina especial já teria até sido adquirida. A razão desta cartinha é um pedido. Um pedido muito urgente.                                                                       
           Antes de mais nada, devo dizer aos senhores que nada tenho contra a destruição de tênis, ou de bonecas Barbie, ou de qualquer coisa que tenha sido pirateada. Afinal, a marca é dos senhores, e quem usa essa marca indevidamente sabe que está correndo um risco. Destruam, portanto. Com a máquina, sem a máquina, destruam. Destruir é um direito dos senhores. Mas, por favor, reservem um par, um único par desses tênis que serão destruídos para este que vos escreve. Este pedido é motivado por duas razões: em primeiro lugar, sou um grande admirador da marca Nike, mesmo falsificada. Aliás, estive olhando os tênis pirateados e devo confessar que não vi grande diferença deles para os verdadeiros.                                              Em segundo lugar, e isto é o mais importante, sou pobre, pobre e ignorante. Quem está escrevendo esta carta para mim é um vizinho, homem bondoso. Ele vai inclusive colocá-la no correio, porque eu não tenho dinheiro para o selo. Nem dinheiro para selo, nem para qualquer outra coisa: sou pobre como um rato. Mas a pobreza não impede de sonhar, e eu sempre sonhei com um tênis Nike. Os senhores não têm idéia de como isso será importante para mim. Meus amigos, por exemplo, vão me olhar de outra maneira se eu aparecer de Nike. Eu direi, naturalmente, que foi presente (não quero que pensem que andei roubando), mas sei que a admiração deles não diminuirá: afinal, quem pode receber um Nike de presente pode receber muitas outras coisas. Verão que não sou o coitado que pareço.                                                                                                Uma última ponderação: a mim não importa que o tênis seja falsificado, que ele leve a marca Nike sem ser Nike. Porque, vejam, tudo em minha vida é assim. Moro num barraco que não pode ser chamado de casa, mas, para todos os efeitos, chamo-o de casa.                                              
              Uso a camiseta de uma universidade americana, com dizeres em inglês, que não entendo, mas nunca estive nem sequer perto da universidade – é uma camiseta que encontrei no lixo. E assim por diante. Mandem-me, por favor, um tênis. Pode ser tamanho grande, embora eu tenha pé pequeno. Não me desagradaria nada fingir que tenho pé grande. Dá à pessoa uma certa importância. E depois, quanto maior o tênis, mais visível ele é. E, como diz o meu vizinho aqui, visibilidade é tudo na vida.
(Moacyr Scliar, cronista da  Folha de S. Paulo
      Esta carta é um bom modelo porque o remetente, um menino pobre, usa as suas condições de vida como argumentos para convencer o seu destinatário, os empresários da Nike, a dar-lhe um par de tênis. Para isso, ele inicia a carta apresentando o motivo pelo qual escreve e quem é ele; a seguir, expõe os argumentos com a  finalidade de convencer o seu interlocutor. Note ainda que a linguagem deve ser coerente com a pessoa que escreve (neste caso, é um vizinho do menino) e também adequada à pessoa para quem se envia a carta: não escreveríamos para  um cantor popular com a mesma linguagem que usaríamos para nos dirigir ao presidente da República, não é?

PARTES  DE UMA CARTA ARGUMENTATIVA

Campos dos Goytacazes, 08 de agosto de 2008[1].

            Prezado Senhor Diretor da Revista Veja[2]

            Tendo lido, na revista que o senhor dirige, matéria relativa ao programa “Fome Zero”, resolvi escrever-lhe para...[3]
            Seguem-se dois ou três parágrafos.[4]
            Atenciosamente,[5]
A.B.C.[6]
 [1] A data deve ser colocada no alto, no lado direito da página. Nos casos em que a banca não especifique outro procedimento, pode-se usar a data do dia em que a redação estiver sendo feita. Observe bem a pontuação: vírgula depois do nome da localidade, e ponto final. O nome do mês se escreve com inicial minúscula.
[2] Pulando-se uma linha após a data, vem o vocativo, expressão com que se saúda a pessoa a quem a carta é dirigida. Fica do lado esquerdo, um pouco recuado em relação à margem. É melhor não colocar nenhum sinal de pontuação depois do vocativo.  O tratamento empregado no vocativo deve ser mantido em todo o texto. O vocativo pode, conforme o caso, ocupar duas linhas.
[3] Pulada uma linha depois do vocativo, vem a introdução da carta. De maneira rápida, apresenta-se a finalidade dela. Como se trata, em geral, de concordar ou não com uma tese exposta ou atitude tomada pelo interlocutor, convém dizer como se teve conhecimento dessa opinião ou atitude. Risque do seu caderninho o famoso “venho por meio desta...”
[4] Os dois ou três parágrafos que seguem a introdução constituem o desenvolvimento, em que se analisa a questão discutida e apresentam-se os argumentos. O início de cada parágrafo deve guardar a mesma distância da margem que se observou no vocativo.
[5] A conclusão da carta é sempre muito formal, já que, na maioria das vezes, não se conhece pessoalmente aquele para quem se escreveu. Pode resumir-se a uma forma de cortesia, como a apresentada, ou outra semelhante.
[6] No vestibular, não se pode assinar o próprio nome. Algumas bancam mandam que se use um pseudônimo.

COLOQUEM-SE NO PAPEL A SEGUIR.

ATIVIDADES

01-       CARTA ARGUMENTATIVA

         APÓS ANALISAR, ATENTAMENTE, AS REGRAS PARA REDIGIR UMA CARTA ARGUMENTATIVA, LEIA REPORTAGENS QUE DISCUTAM A SITUAÇÃO DO CONGRESSO BRASILEIRO DIANTE DAS DENÚNCIAS CONTRA JOSÉ SARNEY. É CORRETO O ARQUIVAMENTO DAS MESMAS? EXISTE ÉTICA NESSE SUPOSTO PROTECIONISMO?
         A SEGUIR, REDIJA UMA CARTA ARGUMENTATIVA AO CONGRESSO EMITINDO A SUA OPINIÃO A RESPEITO DO ASSUNTO.
         RESPEITE TODAS AS TÉCNICAS DA CARTA ARGUMENTATIVA APRESENTADAS ACIMA.
         USE FOLHA DE BLOCO E FAÇA SEU TEXTO A CANETA.
        
02- DISSERTAÇÃO/ ARGUMENTATIVA

TEXTO I

Pense em 1789 e você logo imaginará o início da Revolução Francesa, século XX – 1945 – fim da Segunda Guerra Mundial; 1989 a queda do Muro de Berlim. Todos esses anos têm eventos tão únicos e extraordinários associados a eles que é fácil saber de imediato o que representam. No entanto, nenhum deles possui a aura de magia que acompanha 1968. Quarenta e um anos depois, 68 continua enigmático, estranho e ambíguo como um adolescente em crise existencial. Ele foi o ano da livre experimentação de drogas. Das garotas de minissaia. Do sexo sem culpa, da pílula anticoncepcional. Do movimento feminista. Da defesa dos direitos homossexuais. Do assassinato de Martim Luther King. Dos protestos contra a Guerra do Vietnã . Da revolta dos estudantes em Paris. Da primavera de Praga. Da radicalização da luta estudantil e do recrudescimento da  ditadura no Brasil.  Da Tropicália e do cinema marginal brasileiro. Foi, em suma, o “êxtase da História”.

TEXTO II

O cantor americano Bob Dylan disse recentemente que 1968 foi o último ano em que todas as utopias eram permitidas e que hoje em dia “ninguém mais quer sonhar”. Numa simplificação, pode-se afirmar que o período simboliza a utopia de milhões de jovens rebeldes e cabeludos de acabar com a moral repressora da velha sociedade.

TEXTO III

Há uma vertente que relativiza a herança deixada pela geração do desbunde. Seus adeptos acreditam que as lembranças afetivas turvam a análise independente. Hoje, um dos ex-guerrilheiros de esquerda diz que gostaria de sepultar esse período.

TEXTO IV

O 68 brasileiro foi diferente por uma razão simples. Aqui ele tinha um viés mais político que na França e nos Estados Unidos, países que também viviam em erupção. No Brasil, os contestadores do regime sofreram torturas e exílio. “Nos Estados Unidos, havia o sentimento generalizado de que era preciso mudar  a estrutura da sociedade, mas não necessariamente o  governo’, diz o historiador americano James Green.

TEXTO V

1968 deixou duas heranças: a aversão a toda forma de poder autoritário e a defesa dos direitos civis. No Brasil, grandes transformações na área cultural vieram no embalo da contracultura. A principal delas foi o tropicalismo, que ainda hoje reverbera especialmente na música popular brasileira. O movimento, liderado por Caetano Veloso, Nara Leão e Gilberto Gil, entre outros artistas, propunha mudanças tão radicais que se revelaram inspiradoras para todas as gerações seguintes. O tropicalismo de Caetano incorporou o uso da guitarra elétrica e de gêneros como bolero e as músicas de raiz. De tão ousada, a mistura provocou reações iradas dos setores mais conservadores, que consideravam aquilo uma agressão. O tropicalismo só foi possível porque se vivia uma época em que se experimentava tudo.


TEXTO VI

Poucas das grandes mudanças por que passamos nessas quatro décadas não surgiram naquela época. Da tolerância à diversidade ao reconhecimento dos direitos das mulheres e minorias, do movimento ambientalista às organizações comunitárias, da valorização dos prazeres  à busca da espiritualidade pela meditação, a geração de 68 atingiu, sim, seu ideal de transformar o mundo.


TEXTO VII















A Revista Época, em janeiro de 2008, publicou material comemorativo aos quarenta anos da geração de 68. Baseado nos textos lidos – fragmentos dessa reportagem –, faça um texto dissertativo-argumentativo abordando o tema: geração de 2008 e a Tropicália – deboche, ousadia, luta e cultura – marginais heróis do Brasil.

INSTRUÇÕES:

1. Não se esqueça de focalizar o tema proposto. Crie um título para a sua redação. Seja IMPESSOAL.
2. A sua redação deve, necessariamente, referir-se ao texto de apoio ou dialogar com ele. Atenção, evite mera colagem ou reprodução.
3. Organize sua redação de modo que preencha entre 20 (mínimo) e 30 (máximo) linhas plenas, considerando-se letra de tamanho regular.
4. Observe o espaçamento que indica início de parágrafo.
5. Use caneta esferográfica azul ou preta para transcrever a redação definitiva. Evite rasuras.
6. Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da modalidade escrita culta da Língua Portuguesa.
7. Use a folha de bloco para redigir seu texto.
8.  Atente para a organização, caligrafia e ortografia da sua dissertação.   

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ATIVIDADES PARA ENSINO MÉDIO







PENSADORES DA EDUCAÇÃO - REFLEXÕES E POSSIBILIDADES


PENSADORES DA EDUCAÇÃO

Reflexão e Possibilidades
JEAN-JACQUES ROUSSEAU  - Filósofo suíço (1712-1778) 



  • O homem é bom por natureza, mas está submetido à influência corruptora da sociedade.

  • O objetivo é não só planejar uma educação com vistas à formação futura, na idade adulta, mas também com a intenção de propiciar felicidade à criança enquanto ela ainda é criança.

  • O jovem é um ser integral, e não uma pessoa incompleta. Na infância são instituídas  várias fases de desenvolvimento, sobretudo cognitivo.

  • A criança  deve ser educada sobretudo em liberdade e viver cada fase da infância na plenitude de seus sentidos, mesmo porque, até os 12 anos o ser humano é praticamente só sentidos, emoções e corpo físico, enquanto a razão se forma.

  • A educação elitista de seu tempo foi por ele criticada, já que os métodos de ensino se baseavam basicamente na repetição e memorização dos conteúdos,  e pregava sua substituição pela experiência direta por parte dos alunos, a quem caberia conduzir, pelo próprio interesse, o aprendizado.

  • A educação mais do que instruir, deveria direcionar-se para a formação moral e política.














JOHANN HEINRICH PESTALOZZI  - Pensador suíço (1746-1827)



  • A função principal do ensino é levar as crianças a desenvolver suas habilidades naturais e inatas.

  • A criança se desenvolve de dentro para fora. O professor deve respeitar os estágios de desenvolvimento pelos quais a criança passa, além de dar atenção a sua evolução, às suas aptidões e necessidades, de acordo com as diferentes idades.

  • A criança é um ser puro, bom em sua essência e possuidor de uma natureza divina que deveria ser cultivada e descoberta para atingir a plenitude.

  • O aprendizado é, em grande parte, conduzido pelo próprio aluno, com base na experimentação prática e na vivência intelectual, sensorial e emocional do conhecimento.

  • A idéia do aprender fazendo, deve partir do conhecido para o novo e do concreto para o abstrato, com ênfase na ação e na percepção dos objetos, mais do que nas palavras. O que importa não é tanto o conteúdo, mas o desenvolvimento das habilidades e dos valores.

  • O objetivo final do aprendizado deveria ser uma formação tripla: intelectual, física e moral.









FREDERICH FROEBEL – Educador Alemão (1782-1852)



·        O início da infância é uma fase decisiva na formação das pessoas.

·        A Educação Infantil é indispensável para a formação da criança.

·        O objetivo das atividades nos jardins de infância era possibilitar brincadeiras criativas.

·        Fundador dos jardins de infância para menores de oito anos.

·        As brincadeiras são o primeiro recurso no caminho rumo à aprendizagem. Não são apenas diversão, mas um modo de criar representações do mundo concreto com a finalidade de entendê-lo.

·        Com base na observação das atividades dos pequenos com jogos e brinquedos, foi um dos primeiros a falar em auto-educação.

·        O caminho para a educação espontânea seria deixar a criança livre para expressar seu interior e perseguir seus interesses, surgindo assim, a idéia contemporânea do “aprender a aprender”.

·        A educação deveria trabalhar os conceitos de unidade e harmonia, pelos quais as crianças alcançariam a própria identidade e sua ligação com o eterno. A importância do autoconhecimento não se limitava à esfera individual, mas seria ainda um meio de tornar melhor a vida em sociedade.

·        As brincadeiras eram acompanhadas de músicas, versos e dança, quase sempre, ao ar livre, para que a turma interagisse com o ambiente.

·        A educação se desenvolve espontaneamente. Quanto mais ativa é a mente da criança, mais ela é receptiva a novos conhecimentos.
·        O ponto de partida do ensino seria os sentidos e o contato que eles criam com o mundo. Portanto, a educação teria como fundamento a percepção da maneira como ela ocorre naturalmente nos pequenos.

·        O ensino diretivo era visto como um recurso legítimo, caso o aluno não apresentasse o desenvolvimento esperado.

·        Na primeira infância o importante é trabalhar a percepção e a aquisição da linguagem.

·         A educação não deve ser imposta às crianças porque elas passam por diferentes estágios de capacidade de aprendizado, com características específicas: primeira infância, infância e idade escolar.

·        A brincadeira e a fala, observadas pelo adulto, permitem apreender o nível de desenvolvimento e a forma de relacionamento infantil com o mundo exterior.

·        A educação é uma atividade em que escola e família caminham juntas.


















JOHN DEWEY   - Filósofo norte-americano (1859-1952)



  • A criança deve ser educada como um todo. O que importa é o crescimento físico, emocional e intelectual.

  • Os alunos aprendem melhor, realizando tarefas associadas aos conteúdos ensinados. Atividades manuais e criativas ganham destaque no currículo e as crianças passam a ser estimuladas a experimentar e pensar por si mesmas.

  • O aprendizado se dá quando compartilhamos experiências, e isso só é possível num ambiente democrático, onde não haja barreiras ao intercâmbio de pensamento.

  • A escola deve proporcionar práticas conjuntas e promover situações de cooperação, ao invés de lidar com as crianças de forma isolada.

  • O objetivo da escola é ensinar a criança a viver no mundo, já que o aprendizado se dá justamente quando os alunos são colocados diante de problemas reais.

  • Educar é mais do que reproduzir conhecimentos. É incentivar o desejo de desenvolvimento contínuo, preparar pessoas para transformar algo.

  • A experiência educativa é reflexiva, resultando em novos conhecimentos. Reflexão e ação devem estar ligadas, são parte de um todo indivisível.

  • Não deve haver separação entre a vida e a educação, e esta deve preparar para a vida, promovendo seu constante desenvolvimento.







MARIA MONTESSORI  - Médica  e educadora italiana (1870-1952)



  • O objetivo da escola é a formação integral do jovem, uma educação para a vida.

  • O método Montessori é fundamentalmente biológico. Sua prática se inspira na natureza e seus fundamentos teóricos são um corpo de informações científicas sobre o desenvolvimento infantil. O eixo do processo educativo do professor é a criança.

  • Os materiais propostos podem ser agrupados a partir da seguinte classificação: material de desenvolvimento para as atividades de vida prática; material de desenvolvimento destinado à educação sensorial e material de desenvolvimento para a aquisição de cultura (leitura, escrita, numeração, aritmética).

  • Os pequenos conduziriam o próprio aprendizado e ao professor caberia acompanhar o processo e detectar o modo particular de cada um manifestar seu potencial.

  • Ênfase à fase dos 3 aos 6 anos de idade, período em que as principais funções, como por exemplo, calma, tranqüilidade, autocontrole, domínio dos movimentos, acuidade auditiva, capacidade de concentração vão se desenvolvendo.

  • A tarefa do professor é preparar motivações para atividades culturais, num ambiente previamente organizado, e depois se abster de interferir. Deve também, criar um ambiente em que os alunos se concentrem, evitando interferências suas ou dos colegas.

  • As crianças trazem dentro de si o potencial criador que permite que elas mesmas conduzam o aprendizado e encontrem um lugar no mundo.

  • Todo conhecimento passa por uma prática e a escola deve facilitar o acesso a ela.

  • Idéias principais: a educação pelos sentidos e a educação pelo movimento.

  • Nas escolas montessorianas, o espaço é cuidadosamente preparado para permitir aos alunos movimentos livres, facilitando o desenvolvimento da independência   e da iniciativa pessoal.

  • Assim como o ambiente, a atividade sensorial e motora desempenham função essencial, ou seja, dar vazão à tendência natural que as crianças têm de tocar e manipular tudo  o que está ao seu alcance.

  • O caminho do intelecto passa pelas mãos, porque é por meio do movimento e do toque que as crianças exploram e decodificam o mundo ao seu redor.

  • O método Montessori parte do concreto rumo ao abstrato. Baseia-se na observação de que meninos e meninas aprendem melhor pela experiência direta de procura e descoberta.

  • Os materiais didáticos constituem um dos aspectos mais conhecidos do seu trabalho. São objetos simples, mas muito atraentes e projetados para provocar o raciocínio. Há materiais pensados para auxiliar todo tipo de aprendizado, do sistema decimal à estrutura da linguagem.

  • A escola deve ser um espaço cuidadosamente preparado para acolher a atividade espontânea da criança, satisfazendo as necessidades para seu pleno desenvolvimento, baseada nos princípios: liberdade, atividade, independência, individualidade e desenvolvimento segundo a natureza.

  • O respeito à individualidade é fundamental, pois cada criança tem interesses e ritmos próprios.

OVIDE DECROLY   - Médico e educador belga (1871-1932)



·        A escola precisa estar centrada no aluno e não no professor e deve preparar as crianças para viver em sociedade, em vez de simplesmente fornecer a elas conhecimentos destinados a sua formação profissional.

·        O aluno deve conduzir o próprio aprendizado e, assim, aprender a aprender.

·        A marca principal da escola Decroliana são os centros de interesse, nos quais os alunos escolhem o que querem aprender. São eles que escolhem o próprio currículo, segundo sua curiosidade e sem a separação tradicional entre as disciplinas.

·        Os centros de interesse são grupos de aprendizado organizados segundo faixas de idade dos estudantes.

·        O conceito de interesse é fundamental, pois a necessidade gera o interesse e só este leva ao conhecimento.

·        Os métodos e as atividades propostos pelo educador têm por objetivo, fundamentalmente, desenvolver três atributos: a observação, a associação e a expressão. A observação é compreendida como uma atitude constante no processo educativo. A associação permite que o conhecimento adquirido pela observação seja entendido em termos de tempo e de espaço. E a expressão faz com que a criança externe e compartilhe o que aprendeu.








HENRI WALLON  - Médico, psicólogo e filósofo francês (1879-1962)



  • Foi o primeiro a levar não só o corpo da criança, mas também suas emoções para dentro da sala de aula.

  • Fundamentou suas idéias em quatro elementos básicos que se comunicam o tempo todo: a afetividade, o movimento, a inteligência e a formação do eu como pessoa.

  • As emoções têm papel preponderante no desenvolvimento da pessoa. É por meio delas que o aluno exterioriza seus desejos e suas vontades.

  • A afetividade é um dos principais elementos do desenvolvimento humano.

  • A motricidade tem caráter pedagógico tanto pela qualidade do gesto e do movimento quanto por sua representação.

  • A proposta Walloniana põe o desenvolvimento intelectual dentro de uma cultura mais humanizada. A abordagem é sempre a de considerar a pessoa como um todo.

  • A construção do eu depende essencialmente do outro, seja para ser referência, seja para ser negado.

  • Elementos como afetividade, emoções, movimento e espaço físico se encontram num mesmo plano.

  • Todo movimento da criança tem um aspecto psíquico.

  • A educação precisa estar voltada para o desenvolvimento da personalidade concreta da criança, ressaltando a importância de não separar a inteligência da afetividade.
  • A construção coletiva do saber é impregnada de afeto. A criança aprende por um processo que não separa o conhecimento do sentimento.

  • O aprendizado se dá, sobretudo, pela interação social.

  • O professor é o eixo da atividade pedagógica. Ele deve atuar como um observador, no sentido de articular, sempre que possível, os aspectos afetivo e intelectual, ambos inseparáveis e presentes na atividade pedagógica.

  • A presença do afeto na relação professor-aluno contribui significativamente para sua aprendizagem.

  • Gostar da escola e do professor é estímulo para o aprender, assim como, sentir-se querido e aceito pelo mestre, fortalece a auto-estima e constrói um autoconceito positivo.



















CÉLESTIN FREINET - Pedagogo francês (1896-1966)



  • O trabalho e a cooperação vêm em primeiro plano. Não é o jogo que é natural da criança, mas sim o trabalho.

  • A atividade é o que orienta a prática escolar e o objetivo final da educação é formar cidadãos para o trabalho livre e criativo, capaz de dominar e transformar o meio e emancipar quem o exerce.

  • Técnicas didáticas desenvolvidas: aulas-passeio (estudo de campo), cantinhos temáticos na sala de aula, jornal de classe, livro da vida, contato freqüente com os pais, planos de trabalho e a troca de correspondência entre escolas.

  • Contrário ao uso de manuais em sala de aula, sobretudo cartilhas, por considerá-los genéricos e alheios às necessidades de expressão das crianças.

  • É dever do professor criar uma atmosfera laboriosa na escola, de modo a estimular as crianças a fazer experiências, procurar respostas para suas necessidades e inquietações, ajudando e sendo ajudadas por seus colegas e buscando no professor alguém que organize o trabalho.

  • O professor deve colaborar ao máximo para o êxito de todos os alunos.

  • Não há valor didático no erro. O fracasso desequilibra e desmotiva o aluno, por isso o professor deve ajudá-lo a superar o erro.

  • A forma mais profunda de aprendizado é o envolvimento afetivo.

  • A aprendizagem resulta de uma relação dialética entre ação e pensamento ou teoria e prática.

  • O histórico pessoal do aluno interage com os conhecimentos novos e essa relação constrói seu futuro na sociedade.

  • A pedagogia de Freinet se fundamenta em quatro eixos: a cooperação (para construir o conhecimento comunitariamente), a comunicação (para formalizá-lo, transmiti-lo e divulgá-lo), a documentação, com o chamado livro da vida (para registro diário dos fatos históricos) e a afetividade (como vínculo entre as pessoas e delas com o conhecimento).




























JEAN PIAGET  - Biólogo suíço (1896-1980)



·        Campo de investigação: o processo de aquisição do conhecimento pelo ser humano, particularmente a criança.

·        Epistemologia genética é uma teoria do conhecimento centrada no desenvolvimento natural da criança.

·        O egocentrismo, conceito essencial da epistemologia genética, explica o caráter mágico e pré-lógico do raciocínio infantil. A maturação do pensamento rumo ao domínio da lógica consiste num abandono gradual do egocentrismo. Com isso, adquire-se a noção de responsabilidade individual, indispensável para a autonomia moral da criança.

·        O pensamento infantil passa por quatro estágios, desde o nascimento até o início da adolescência, quando a capacidade plena de raciocínio é atingida.

·        Estágios do desenvolvimento cognitivo:

v    Sensório-motor: do nascimento a 2 anos. Nesta fase, as crianças adquirem a capacidade de administrar seus reflexos básicos para que gerem ações prazerosas ou vantajosas. É um período anterior à linguagem, no qual o bebê desenvolve a percepção de si mesmo e dos objetos a sua volta.
v    Pré-operacional: 2 aos 7 anos. Caracteriza-se pelo surgimento da capacidade de dominar a linguagem e a representação do mundo por meio de símbolos. A criança continua egocêntrica e ainda não é capaz, moralmente, de se colocar no lugar de outra pessoa.
v    Operações concretas: 7 aos 11 ou 12 anos. Tem como marca a aquisição da noção de reversibilidade das ações. Surge a lógica nos processos mentais e a habilidade de discriminar os objetos por similaridade e diferenças. A criança já pode dominar conceitos de tempo e número.
v    Operações formais: por volta dos 12 anos. Essa fase marca a entrada na idade adulta, em termos cognitivos. O adolescente passa a ter o domínio do pensamento lógico e dedutivo, o que o habilita à experimentação mental. Isso implica, entre outras coisas, relacionar conceitos abstratos e raciocinar sobre hipóteses.

·        O desenvolvimento é condição para a aprendizagem.

·        A aprendizagem está subordinada ao estágio de desenvolvimento cognitivo em que a criança se encontra, que por sua vez, apresenta forte dependência da maturação biológica.

·        O conhecimento se dá por descobertas feitas pela própria criança. Educar é provocar a atividade, isto é, estimular a procura do conhecimento.

·        O aprendizado é construído pelo aluno.

·        A criança é participante ativa do próprio processo de desenvolvimento

·        A organização é adquirida através da atividade e não o contrário. É fazendo a atividade que a criança se organiza.

·        A função do professor é criar condições para que o aluno aprenda, é desafiá-lo a pensar por si mesmo, a analisar e questionar aquilo que a escola deseja que ele aprenda.

·        O conhecimento é o resultado de uma interação entre a condição que os seres humanos dispõem ao nascer e sua atividade transformadora do meio, uma posição que foi denominada de construtivismo.

·        As crianças não raciocinam como os adultos e apenas gradualmente se inserem nas regras, valores e símbolos da maturidade psicológica. Essa inserção se dá mediante dois mecanismos: assimilação e acomodação.
·        Assimilação: consiste em incorporar objetos do mundo exterior a esquemas mentais preexistentes. Acomodação: refere-se a modificações dos sistemas de assimilação por influência do mundo externo.











































LEV VYGOTSKY  - Psicólogo bielo-russo (1896-1934)



  • As relações sociais têm papel preponderante sobre o desenvolvimento intelectual, e a corrente pedagógica que se originou a partir desse pensamento é chamada de socioconstrutivismo ou sociointeracionismo.

  • O ser humano cresce num ambiente social e a interação com outras pessoas é essencial ao seu desenvolvimento.

  • O aprendizado da criança começa muito antes do ingresso na escola.

  • Todo aprendizado é necessariamente mediado e isso torna o papel do ensino e do professor mais ativo e determinante. É o professor que impulsiona o desenvolvimento psíquico das crianças.

  • A linguagem e a interação são elementos fundamentais da consciência e da aprendizagem.

  • A criança, ao aprender a linguagem falada, já verbaliza o pensamento. A linguagem é a ferramenta fundamental que põe o indivíduo no universo da racionalidade humana.

  • A conexão pensamento e linguagem tem sua origem no desenvolvimento. A linguagem permite a construção de conceitos - elementos centrais do pensamento - e a construção deste último adquire, conseqüentemente, uma formulação lingüística, de modo que a linguagem se converta em ferramenta do pensamento.

  • Pensamento e linguagem apesar de terem origens genéticas distintas, acabam por se fundir ao longo do desenvolvimento: linguagem converte-se em pensamento e pensamento em linguagem.

  • O primeiro contato da criança com novas atividades, habilidades ou informações deve ter a participação de um adulto. Ao internalizar um procedimento, a criança “se apropria” dele, tornando-o voluntário e independente.

  • O aprendizado não se subordina totalmente ao desenvolvimento das estruturas intelectuais da criança, mas um se alimenta do outro, provocando saltos de nível de conhecimento.

  • A aprendizagem produz desenvolvimento e esse possibilita novas condições para a aprendizagem, sempre em um contexto interativo, ou seja, de interlocução que se dá na atividade.

  • A aprendizagem e o desenvolvimento estão intimamente ligados.

  • O ensino deve se antecipar ao que o aluno ainda não sabe nem é capaz de aprender sozinho, porque na relação entre aprendizado e desenvolvimento, o primeiro vem antes.

  • O ensino só é efetivo e eficaz quando se adianta ao desenvolvimento. A qualidade do trabalho pedagógico está necessariamente associada à capacidade de promoção de avanços no desenvolvimento do aluno.

  • A intervenção pedagógica provoca avanços que não ocorreriam espontaneamente.

  • O bom ensino é aquele que estimula a criança a atingir um nível de compreensão e habilidade que ainda não domina completamente, “puxando” dela um novo conhecimento. Ensinar o que a criança já sabe desmotiva o aluno e ir além de sua capacidade é inútil.

  • Um conceito específico para a compreensão das relações entre desenvolvimento e aprendizado é a zona de desenvolvimento proximal, que é a distância entre o desenvolvimento real de uma criança e aquilo que ela tem o potencial de aprender – potencial que é demonstrado pela capacidade de desenvolver uma competência com a ajuda de um adulto. Ou seja, a zona de desenvolvimento proximal é o caminho entre o que a criança consegue fazer sozinha e o que ela está perto de conseguir fazer sozinha.

  • Todo aprendizado amplia o universo mental do aluno. O ensino de um novo conteúdo não se resume à aquisição de uma habilidade ou de um conjunto de informações, mas amplia as estruturas cognitivas da criança.

  • A criança além de ativa é, essencialmente, interativa no processo de desenvolvimento.

  • A brincadeira é entendida como uma atividade social da criança e através desta, a criança adquire elementos imprescindíveis para a construção de sua personalidade e para compreender a realidade da qual faz parte.

  • Por meio da brincadeira, a criança vai se desenvolver socialmente, conhecerá as atitudes e as habilidades necessárias para viver em seu grupo social. A imaginação vai ajudá-la a expandir as suas habilidades conceituais.
















PAULO FREIRE  - Educador brasileiro (1921-1997)



  • O objetivo maior da educação é conscientizar o aluno. A prática de sala de aula deve desenvolver a criticidade dos alunos.

  • Na educação bancária o professor age como quem deposita conhecimento num aluno apenas receptivo, dócil. O saber é visto como uma doação dos que se julgam seus detentores.

  •  Ensinar não é transmitir saber, porque a missão do professor é possibilitar a criação ou a produção do conhecimento.

  • O professor deve ter um papel diretivo e informativo, sem deixar de exercer autoridade.

  • O profissional da educação deve levar os alunos a conhecer conteúdos, mas não como verdade absoluta, pois ninguém ensina nada a ninguém, mas as pessoas também não aprendem sozinhas. Os homens se educam entre si mediados pelo mundo.

  • O aluno, alfabetizado ou não, chega à escola levando uma cultura que não é melhor nem pior do que a do professor. Na sala de aula, os dois lados aprenderão juntos, um com o outro.

  • O sujeito da criação cultural não é individual, mas coletivo.

  • A valorização da cultura do aluno é a chave para o processo de conscientização.

  • O método Freireano, formulado inicialmente para o ensino de adultos, propõe a identificação e catalogação das palavras-chave do vocabulário dos alunos (palavras geradoras). Elas devem sugerir situações de vida comuns e significativas para os integrantes da comunidade em que se atua.
  • O método Paulo Freire não visa apenas tornar mais rápido e acessível o aprendizado, mas pretende habilitar o aluno a “ler o mundo”. Trata-se de aprender a ler a realidade (conhecê-la) para em seguida poder reescrever essa realidade (transformá-la).

  • A alfabetização é um modo dos desfavorecidos romperem o que chamou de “cultura do silêncio” e transformar a realidade, “como sujeitos da própria história”.

  • Tudo está em permanente transformação e interação. O ser humano é concebido como histórico e inacabado e, conseqüentemente, pronto a aprender.

  • Na teoria do educador há três momentos de aprendizagem. O primeiro é aquele em que o educador se inteira daquilo que o aluno conhece, não apenas para poder avançar no ensino de conteúdos, mas principalmente para trazer a cultura do educando para dentro da sala de aula. O segundo momento é o de exploração das questões relativas aos temas em discussão – o que permite que o aluno construa o caminho do senso comum para uma visão crítica da realidade. E finalmente, volta-se do abstrato para o concreto, na chamada etapa de problematização.



















EMÍLIA FERREIRO  - Psicolingüista argentina (1937)



·        A criança tem um papel ativo no aprendizado. Ela constrói o próprio conhecimento, daí a palavra construtivismo.

·        Para ter sucesso na alfabetização, a criança não precisa mais vir de um ambiente culto e ter prontidão.

·        A psicogênese da língua escrita é um processo através do qual a escrita se constitui em objeto de conhecimento para a criança.

·        O sujeito ativo e inteligente está no centro da aprendizagem. Um sujeito que pensa, que elabora hipóteses sobre o modo de funcionamento da escrita porque ela está presente no mundo onde vive, que se esforça por compreender para que serve e como se constitui esse objeto.

·        Contribuições fundamentais: a transferência do foco educativo, do professor que ensina para o aluno que aprende; do método preconcebido para o estímulo à construção do saber; do projeto de ensino previsível e controlado passo a passo para a prática pedagógica tecida no dia-a-dia dos conflitos cognitivos emergentes em sala de aula; do fazer escolar para a efetiva conquista do saber e da aprendizagem significativa.

·        A aprendizagem da escrita não se pode dar em outro contexto se não o de produção de textos em efetivas situações de uso da língua. A escrita é importante na escola pelo fato de que é importante fora da escola, não o contrário.

·        Não é o professor quem ensina a ler e a escrever, mas é a criança que constrói seu próprio processo de leitura e de escrita.

·        O importante é ler e escrever textos com significado e não apenas repetir palavras e frases sem nexo.

·        O aprendiz precisa pensar sobre a escrita para se alfabetizar. A mão que escreve e o olho que lê estão sob o comando de um cérebro que pensa sobre a escrita. Escrita essa que existe em seu meio social e com a qual toma contato por atos que envolvem, de alguma forma, sua participação em práticas sociais de leitura e escrita.

·        A maior contribuição de Ferreiro foi explicitar o papel da rede de atos de leitura e escrita que hoje chamamos ambiente alfabetizador. Um ambiente que propicia inúmeras interações com a língua escrita, interações mediadas por pessoas capazes de ler e escrever.

·        Para aprender a ler e a escrever é preciso apropriar-se desse conhecimento, através da reconstrução do modo como ele é produzido. Ou seja, é preciso reinventar a escrita. Os caminhos dessa reconstrução são os mesmos para todas as crianças, de qualquer classe social.

·        Toda criança passa por quatro fases até que esteja alfabetizada:

v    Pré-silábica: não consegue relacionar as letras com os sons da língua falada.
v    Silábica: interpreta a letra a sua maneira, atribuindo valor de sílaba a cada uma.
v    Silábico-alfabética: mistura a lógica da fase anterior com a identificação de algumas sílabas.
v    Alfabética: domina, enfim, o valor das letras e sílabas.

·         Para o construtivismo, nada mais revelador do funcionamento da mente de um aluno do que seus supostos erros porque evidenciam como ele “releu” o conteúdo aprendido.

·         A alfabetização tradicional é criticada por julgar a prontidão das crianças para o aprendizado da leitura e da escrita por meio de avaliações de percepção e de motricidade. Dessa forma, dá-se peso excessivo para um aspecto exterior da escrita (saber desenhar as letras) e deixá-se de lado suas características conceituais, ou seja, a compreensão da natureza da escrita e sua organização. O aprendizado da alfabetização não ocorre desligado do conteúdo da escrita.